O Programa Força Café (Fortalecimento da Cafeicultura Familiar) da Fundação Hanns R. Neumann Stiftung do Brasil completou 10 anos de execução no Brasil em 2017 através de um esforço mútuo empreendido com vários parceiros nacionais e internacionais. Para comemorar a data, a Fundação recebeu em novembro passado as reuniões do Conselho de Curadores da HRNS da Alemanha, do Steering Committee do International Coffee Partners – ICP e, realizou com os visitantes várias missões de intercâmbios às comunidades produtoras apoiadas pelo Programa Força Café e a projetos apoiados pela Fundação.

Visita dos membros do conselho da HRNS ao Projeto Jovens na Casa da Criança, ambos em Santo Antônio do Amparo – MG.

Para promover maior integração dos membros da HRNS e da ICP com parceiros locais da Fundação como Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SEAPA), SENAR MG, EPAMIG, EMATER MG, UFLA/InovaCafé, cooperativas e associações de produtores e produtores, a Fundação em parceria com a Universidade Federal de Lavras (UFLA) realizou um evento com as diferentes entidades para avaliar os avanços conquistados pela cafeicultura familiar e identificar quais desafios ainda os impedem de aproveitar as oportunidades futuras projetadas pelo setor cafeeiro.

Os principais avanços identificados foram: fortalecimento organizacional dos produtores e das comunidades produtoras, melhoria da renda econômica das famílias produtoras devido ao aumento da produção, diminuição do custo de produção, melhoria da qualidade do café e melhor acesso pelos produtores a mercados de maior valor agregado e a economias de escala.

Intercâmbio das empresas associadas ao International Coffee Partners: Franck dd, Croacia; Gustav Paulig Ltd, Finlândia; Loefbergs Lila AB, Suécia; Luigi Lavazza SpA, Itália; Neumann Gruppe GmbH, Alemanha e Tchibo GmbH, Alemanha; com famílias apoiadas pelo Programa Força Café em São Francisco de Paula-MG.

Como oportunidades da cafeicultura familiar na próxima década, indicou-se a demanda crescente do consumo de café, a maior capacidade da agricultura familiar de suprir os déficits projetados da produção de café frente ao consumo, a maior demanda do mercado por cafés de melhor qualidade, relações comerciais mais estruturadas para o futuro, relações direct trade e a expansão de iniciativas de sustentabilidade baseadas no desenvolvimento e fortalecimento dos produtores familiares como membros de cadeias comerciais.

Sr. Michael R. Neumann palestrando no evento realizado na Universidade Federal de Lavras.

Apesar dos avanços já alcançados, para aproveitar as oportunidades projetadas, a cafeicultura familiar e seus parceiros precisam:

(1) Ampliar a escala e fortalecer modelos de organização dos produtores que privilegie a participação direta e ativa dos mesmos, das mulheres e dos jovens em sua gestão e que atenda as demandas desses serviços.

(2) Implementar iniciativas/parcerias de longo prazo para trabalhar diferentes elementos da sustentabilidade: capacitação e assistência técnica aos produtores, qualidade do café/comercialização/marketing (história de cada café produzido), gestão e administração do negócio, jovens/sucessão familiar, mudança climática, gênero, qualidade de vidas das famílias produtoras.

(3) Dar visibilidade e escala de disseminação as iniciativas de sustentabilidade bem-sucedidas.

(4) Desenvolver iniciativas e processos de avaliação focadas no impacto dos esforços empreendidos e não em resultados.