A terceira reunião da Comunidade de Prática – CoP –  de adaptações às mudanças climáticas (apoiada pela Iniciativa para café&clima) aconteceu nos dias 03 e 04 de Abril na cidade de Boa Esperança – MG na sede da Cooperativa dos Produtores de Café Especial de Boa Esperança (COSTAS 5588) e teve como tema “Indicadores de medição de resultados e impactos de resiliência”.

No primeiro dia foram apresentados resultados relacionados à metodologia ISA (Indicadores de Sustentabilidade em Agroecossistemas) por Pierre Santos Vilela – Superintendente do Instituto Antônio Ernesto de Salvo (INAES) – Sistema FAEMG. Por meio desta ferramenta foi possível identificar algumas das maiores dificuldades dos produtores como, por exemplo: a capacidade produtiva do solo e qualidade da água; balanço econômico da propriedade e contaminação da água por agroquímicos. A discussão dos participantes da CoP se direcionou no sentido de propor melhorias relacionadas aos pontos acima citados.

Em sequência à palestra, o especialista Victor Vargas (ICAFE – Costa Rica) abordou as ações que atualmente são realizadas em seu país em relação à mitigação dos gases de efeito estufa. Uma das ações de destaque são os empreendimentos considerados “Carbono Neutro” (é um programa de redução e compensação de emissões de gases de efeito estufa) os quais seguem leis e normas da Costa Rica, e passam por fiscalizações para serem considerados “Carbono Neutro”.

Na oportunidade, Victor comentou que “O que eu conheço e compartilhei com a Comunidade de Práticas, creio que será o vínculo que vai dar o início para que o Brasil como produtor de café no mundo ocupa para começar a desenvolver as ações que vamos realizar para mitigar as emissões que causamos como setor. A CoP pelo que vi e entendi são pessoas de vários setores e que estão comprometidos de alguma maneira com o ambiente e estão preocupados com o que está acontecendo, com as emissões, com a mitigação, enfim. Entre os trabalhos que estão sendo desenvolvidos de forma prática, notei que existe um compromisso onde se comprometem a realizar um enlace entre as organizações governamentais do Brasil  para poder realizar um desenvolvimento das atividades de mitigação. Para mim a experiência foi muito enriquecedora. Estou conhecendo uma cafeicultura diferente da nossa, uma cafeicultura que tem muitas emissões, muitos danos no setor, muitos desafios e compromissos acredito estarem saindo dessa reunião. O que fazemos na Costa Rica não é o máximo nem o melhor, mas a ideia é tratar de fazer algo. Não é ‘o que’, mas algo. É necessário se começar com algo, sempre digo ‘Vamos começar fazendo algo!” o que não sei, mas comecemos com algo. É a mensagem que deixo para a Comunidade de Prática!”

Palestra de Victor Vargas

Ocorreu também no mesmo dia a visita à propriedade do senhor Joaquim Donizetti da Silva, cooperado dos COSTAS 5588, produtor de café convencional e também orgânico. O senhor Joaquim adota boas práticas tanto de adaptação quanto de mitigação às mudanças climáticas em sua propriedade (cobertura na entrelinha, barreiras quebra-vento, adubação orgânica, fossa séptica, etc.) e destacou que: “Eu sempre gostei de desafios, no início fui criticado com a produção de café orgânico, comecei com pouco, mas estou satisfeito com as práticas e com o orgânico, onde eu observei maior presença de minhocas no café o que antes era muito difícil de ver”.

No segundo dia da CoP, o especialista Victor Vargas em mais uma apresentação, tratou sobre as mudanças que ocorreram ao longo do tempo com a cafeicultura da Costa Rica para se adaptarem as exigências do mercado, adoção de práticas para diminuição dos gases do efeito estufa, as políticas nacionais implantadas, as instituições responsáveis e os mercados atendidos no exterior. Foi apresentado também o projeto da Costa Rica apoiado pela NAMA Facility: Ações de Mitigação Nacionalmente Apropriadas, que é abordagem específica ao setor cafeeiro, que visa uma transformação favorável em relação ao clima, pois se trata de uma cultura de grande importância para o país.

Em sequencia, Pedro Ronca (Coordenador do Programa Brasil da Plataforma Global do Café) apresentou o processo de criação e a importância do “Guia de Sustentabilidade do Café”, um documento feito pela e para cadeia do café com objetivo de tornar a propriedade de café sustentável a partir da implementação das boas práticas. Foi enfatizado também o uso de 35 indicadores utilizados para se mensurar a sustentabilidade da propriedade.

Na continuidade do evento foi abordado pelo Dr. Anderson Dominguetti (IF Sul de Minas – Machado) as medições de emissões de fertilizantes nitrogenados, onde foram apresentadas pesquisas realizadas com eficiência dos fertilizantes nitrogenados disponíveis atualmente no mercado e a sustentabilidade dos mesmos, sendo desejável ao produtor e ao meio ambiente produtos que apresentem menores perdas por lixiviação ou por volatização.

Sr. Joaquim Donizetti da Silva

Na finalização do evento formaram-se grupos e foram discutidas as oportunidades, desafios e aplicação acerca dos seguintes métodos: ISA, NAMA, Índice de sustentabilidade e Etiquetado Ambiental. Os grupos finalizaram com uma conclusão acerca de cada tema e foi decidido a data e o local da próxima reunião CoP que acontecerá no segundo semestre deste ano.

Agradecemos pela participação: ACOB, AAFAPO, APROCEM, ASCARIVE, BR-FAIR, COOMAP, COOPFAM, COSTAS, COOPERCAFEM, COOPASV, COOXUPE, ECOM, EPAMIG, FAEMG, Fazenda da Lagoa, GCP, HRNS do Brasil, ICAFE Costa Rica, Instituto Federal de Machado, MAPA, UTZ.